domingo, 11 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

CRISTÃO BOCA SUJA


No domingo passado, ao falar sobre o desequilíbrio entre a verdade sem graça (legalismo) e a graça sem verdade (libertinagem), eu mencionei a tendência crescente entre muitos cristãos pós-modernos de soltar o verbo e liberar os palavrões como se fosse a coisa mais natural do mundo. Algumas pessoas me perguntaram se eu não estava caindo novamente no legalismo simplesmente por questionar isso. Vejamos.
Em primeiro lugar é preciso reconhecer que esta é uma questão mais complexa do muitos gostariam que fosse. Já conversei com várias pessoas sobre isso nos últimos anos e tenho a impressão de que muitos pensam que basta citar alguns versículos das Escrituras e assunto encerrado. Mas não é bem assim. O difícil é determinar quando uma palavra é torpe ou obscena uma vez que a linguagem é algo vivo e as palavras e seus significados mudam com o tempo. Algo que era considerado um palavrão nos dias de Jesus ou Paulo pode nem sequer ser utilizado hoje.
Sendo assim temos que lidar com questões sobre contexto, cultura, significado e eu entendo isso, não sou leigo no assunto e não estou tentando desprezar tais considerações.
Por outro lado, será que o valor de nossas palavras deveria ser determinado pelo meio em que vivemos? Se todos à nossa volta estão usando certas palavras, será que isso significa que nós devemos usá-las também?
Algumas pessoas dizem que o uso de palavrão se tornou natural em nossa cultura e que os únicos que ficam ofendidos são os “legalistas religiosos”. Realmente parece que cada vez mais pessoas estão usando palavrão como parte de seu vocabulário. Mas isso não torna o palavrão menos palavrão. De fato, as pessoas usam certas palavras justamente porque elas querem dizer algo para chocar, dar ênfase, ofender, etc. Ou seja, mesmo com o uso cada vez mais corriqueiro, certas palavras continuam sendo torpes e obscenas em nossa cultura.
O comediante americano George Carlin em seu show “Sete palavras que você nunca deve dizer na TV” demonstrou (mesmo que a contragosto) que há certas palavras que são inapropriadas. Bono que o diga. Por usar uma destas palavras na entrega do Globo de Ouro em 2003, ele criou problemas para a rede de TV norte-americana Fox.
Eu gosto da idéia de que se você não usaria uma determinada palavra numa conversa com sua mãe, numa reunião como igreja, numa entrevista de emprego ou para alguém que você acabou de conhecer, então essa palavra parece não ser apropriada para seu uso corriqueiro. Novamente, parece uma idéia simplista (e talvez seja), mas creio que é um começo.
Seria válido falar palavrão para se identificar com as pessoas que estamos tentando alcançar?
Eu me lembro de quando fazia visitas na antiga Casa de Detenção Carandirú em São Paulo. Os presos tinham um código de respeito para com os “crentes” que os visitavam. Não se falava palavrão perto deles. Percebi o mesmo com relação as prostitutas em alguns prostíbulos onde estive com os missionários do Projeto Toque. Quando alguma delas que não nos conhecia começava a baixar o nível das palavras, era logo censurada pelas companheiras. Fico imaginando o que essas pessoas pensariam ao ouvir um discípulo de Cristo falando as mesmas palavras que elas, apesar de usarem, reprovam. Será que elas veriam evidências de uma nova vida no falar deste discípulo?
Como eu disse em minha reflexão, precisamos rever nosso conceito de liberdade cristã. Para muitos, a nova versão de liberdade que eles estão aderindo é apenas uma revisão da velha escravidão que eles pensam ter deixado para trás.
Liberdade cristã não é liberdade para fazer o que quer que eu desejo. Liberdade cristã é liberdade para servir a Cristo e fazer o que Ele deseja. É liberdade para agradar a Deus. É liberdade no Espírito Santo. E o fruto do Espírito é amor, paz, bondade… domínio próprio.
Lutero colocou da seguinte forma em seu clássico texto Da Liberdade Cristã (1520): “Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém – pela fé. Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos – pelo amor.”
Quando leio passagens como Efésios 2.1-5 e 4.22, 1 Pedro 4.3, Tito 3.3, dentre outras, há uma indicação clara de que nossa vida antes de Cristo era marcada por certas coisas que já não devem mais persistir uma vez que estamos ligados à Cristo. Os verbos usados – éramos, andávamos, vivíamos – indicam uma condição passada. Mas agora, diz a Bíblia, somos novas criaturas e devemos despir (despojar) a velha condição. Me parece estranho que seguidores de Cristo queiram continuar na condição passada, exibindo os mesmos maus hábitos e caindo nos mesmos erros.
É neste contexto do novo homem que Paulo fala aos Efésios (4.29): “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe.” (ARA)
O dicionário Houaiss define TORPE como:
que contraria ou fere os bons costumes, a decência, a moral; que revela caráter vil; ignóbil, indecoroso, infame
que contém ou revela obscenidade; indecente
que causa repulsa; asqueroso, nojento
que apresenta mácula; sujo
Ou seja, mesmo considerando as mudanças do vocabulário com o decorrer dos tempos, uma palavra torpe hoje continua sendo torpe.
Algumas pessoas argumentam que xingar é ser transparente e honesto. Todavia, o próprio bom senso nos diz que não devemos ser transparentes em tudo exatamente. Ainda que não exista nada em nossa vida que esteja oculto aos olhos de Deus – não há áreas privadas diante de Deus – há todavia, áreas e coisas que fazemos que não deveriam se tornar públicas. Por exemplo, o exercício de nossas necessidades físicas. Ninguém que tenha um bom senso ira advogar que, em nome da transparência, deve-se abaixar as calças em público e se aliviar na frente de todos. Isso seria indecoroso na maioria das culturas e sociedades do nosso mundo hoje. Ou seja, a tal de transparência neste caso me parece mais uma desculpa para obscenidade do que algo sincero.
Todd Hunter, presidente do Curso Alpha certa vez disse: “Como um discípulo de Jesus usa sua linguagem? O amor deve ser o árbitro de todo o falar.”
Quando você manda alguém ir se f**** ou chama uma pessoa de filho da p***, você está demonstrando amor? Você consegue ver a atitude de Cristo nisso? Imagino que não. Não importa o quão transparente você diga que está sendo, a única coisa que sua atitude transparente está demonstrando é a ira e falta de domínio próprio.
Então ouço pessoas apontando outros pecados, dizendo que alguém não xinga, mas odeia de qualquer maneira. Ora, um pecado não justifica o outro. Deus nos chamou para uma nova vida, com novas atitudes e novos hábitos.
Creio que xingar é um mal hábito e como todo mal hábito deve ser desencorajado, procurando livrar-se dele em busca de novos hábitos. Gosto do Bono como artista. Lendo uma de suas entrevistas certa vez, achei curioso que ele mesmo considera o falar palavrão como um mal hábito que ele possui. Mesmo gostando de sua arte, não significa que eu deva gostar ou adquirir seus maus hábitos.
Jesus elevou os padrões para os seus seguidores, em vez de diminuí-los como muitos aderentes da graça barata parecem pensar que Ele tenha feito. Tiago nos chama para um viver comprometido com os pobres e oprimidos ao mesmo tempo em que nos mantemos incontaminados com o mundo – inclusive no falar (1.26-27). Uma simples leitura a carta de Tiago revela que ele tinha muito a dizer sobre o Cristianismo prático e o uso da língua.
Por tudo isso e mais um pouco, creio que os seguidores de Cristo devem evitar ao máximo o uso de linguagem torpe/obscena, especialmente em público.
Que Deus nos ajude a viver não no legalismo nem na libertinagem, mas na verdadeira liberdade no Espírito.


Sandro Baggio

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

QUEM ENTENDE?

O ser humano é o ser mais complexo em todo o universo. Sua complexidade se revela na diversidade de suas ações, reações, sentimentos, ressentimentos, pensamentos, sonhos, palavras e gestos. Só Deus entende o ser humano em sua plenitude. Isto porque, Ele é o único capaz de sondá-lo e prescrutá-lo devidamente. Sei que isso é óbvio, já que Ele é o Criador. Dentre tantas coisas que revelam a complexidade humana, está a ingratidão. Tal sentimento que se evidencia em pensamentos e ações dá-nos uma noção do que é a natureza humana. Existem vários exemplos bíblicos de ingratidão. Lembro-me de Mefibosete, filho de Jônatas e neto do grande rei Saul. Mefibosete era portador de necessidades especiais. "Quando Saul e Jônatas foram mortos em Jezreel, Mefibosete, filho de Jônatas, tinha cinco anos de idade. Ao chegar a notícia da morte de Saul e de Jônatas, a mulher que cuidava de Mefibosete o pegou e fugiu. Mas estava com tanta pressa, que o deixou cair, e ele ficou manco. (2 Samuel 4:4).
Ao assumir o poder, Davi usou de muita bondade para com Mefibosete. Davi deu a Mefibosete as terras que outrora pertenciam a Saul e contratou um administrador chamado Ziba para cuidar dos negócios dele. Davi fez mais: deu liberdade à Mefibosete para comer pão diariamente no palácio real. Apesar de tudo, Mefibosete foi ingrato.
Quando Davi enfrentou uma crise com seu filho Absalão e teve que sair do palácio refugiando-se no deserto para evitar confronto com seu filho, Mefibosete permaneceu em Jerusalém e disse: "Hoje, a casa de Israel me restituirá o reino de meu pai. (2 Samuel 16:3). Depois ele se justificou para com Davi dizendo que permaneceu em Jerusalém porque não teve ajuda para acompanhá-lo e apoá-lo naquele momento. Tudo indica que isso não era verdade. Davi não acreditou nele. Davi dividiu seus bens com o administrador Ziba. Mefibosete deixou de contar com, rompendo aquele relacionamento de confiança. Mefibosete foi muito ingranto. A ingratidão é uma mal que deveria ser combatido. Conforme as palavras do apóstolo Paulo, a ingratidão é uma das terríveis características da natureza humana e que caracteriza os seres humanos dos últimos dias: "... pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes... (2 Timóteo 3:2). Fico pensando o quanto somos ingrantos para com Deus. A Bíblia nos recomenda a entregarmos todas as nossa preocupações ao Senhor por meio das orações mantendo sempre um coração agradecido. Em tudo dai graças diz a Bíblia ( I Ts.5.17). Digamos sempre, deixando vir do fundo do coração: graças a Deus!
Ricardo Mota

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

FALANDO AO CORAÇÃO


Temos necessidade de ouvir sobre o amor de Deus. Ele, para nos fazer entender seu amor por nós, usa o casamento de um homem com uma mulher. Os princípios que devem ser observados no relacionamento conjugal não apenas garantem a felicidade dos cônjuges, mas, sobretudo revela um grande mistério. Sim, há um mistério revelado. O apóstolo Paulo diz que ao falarmos sobre o relacionamento conjugal nos deparamos com um mistério: Cristo e a igreja (Efésios 5.32).

Casamento não é simplesmente o resultado de uma necessidade física, não é meramente um meio para se preservar a espécie e tampouco uma forma de passar à frente a cultura e tradição. O casamento vai além, transcende a própria felicidade do casal, o casamento visa a glória de Deus. Este é o mistério. A união de um homem com uma mulher pode servir como fator revelador do grande amor de Deus para com a raça humana. O mistério é revelado nos princípios que regem a vida conjugal. Vejamos alguns princípios que devem ser obedecidos para a felicidade conjugal e para a glória de Deus. Deus disse: "Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias;20 desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR." Oséias 2.19,20.

Primeiro Princípio - A Legalidade. O compromisso do amor de Deus para conosco, mistério revelado no relacionamento conjugal é em "justiça e juízo. O relacionamento não é leviano, ele está relacionado com a justiça, retidão, direito. É questão de juízo, cuja palavra hebraica usada aqui significa diante de juízes. Para que um homem se casa com uma mulher, independentemente na cultura social ou religiosa, deve haver legalidade jurídica. Isto porque, tal atitude, tem significado espiritual. Deus, em Cristo Jesus, casou-se conosco em justiça e juízo. O casamento de um homem com uma mulher é um símbolo terreno daquilo que é eterno.

Segundo Princípio - O Amor. Benignidade é bondade em ação. A misericórdia é a ação em bondade. Isto traduz o que o amor. Amor é viver para o outro, é abnegação, é compromisso. Quando vivemos este princípio no relacionamento conjugal, revelamos o mistério. Deus nos amou e nos ama com benignidade e misericórdias. O casamento tem o dever de revelar isso.

Terceiro Princípio - A Fidelidade. A palavra hebraica para fidelidade se traduz por firmeza, estabilidade. Deus é fiel, pois não tosqueneja, não vacila, não muda. Para revelar isso aos homens cria o casamento e estabelece o princípio. Quando um casal vive na fidelidade, não apenas se vê livre da desgraça, mas, revela o mistério da fidelidade de Deus.

A grande recompensa em viver os princípios estabelecidos por Deus é poder "conhecer ao Senhor". Segundo as palavras do profeta Oséias mensageiro e a própria mensagem para revelar ao povo o amor de Deus, vivendo os princípios da legalidade, do amor e da fidelidade se conhecerá o Senhor. Isto quer dizer "intimidade com Deus". O verbo hebraico para conhecer (yada') significa intimidade. O mesmo verbo usado para descrever a intimidade de um casal casado. A intimidade de um casal que vive o princípio da legalidade, do amor e da felicidade é a relação sexual. Tal intimidade ilustra o cerne do mistério. Cristo e a igreja.

Sendo assim, casamento é mais do que um evento familiar, social ou religioso. Casamento tem um objetivo ainda mais suplime. Casamento é para a glória de Deus.


Na mesma fé



Ricardo Mota

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

CONVICÇÕES ATÉ O FIM

Nas últimas palavras de um indivíduo se pode perceber e aprender muito do que ele foi e fez. Muitos vivem pouco e aprendem muito, outros vivem muito e aprendem pouco. Parte do poema de William Shakespeare diz: "Aprendi... Que ignorar os fatos não os altera;
Que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;
Que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;
Que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a
."
O conhecido personagem bíblico, Davi cujo nome significa "amado", aprendeu bastante. "São estas as últimas palavras de Davi: Palavra de Davi, filho de Jessé, palavra do homem que foi exaltado, do ungido do Deus de Jacó, do mavioso salmista de Israel." 2 SAMUEL 23.1
Não temos aqui as últimas palavras sobre Davi, mas, são as últimas palavras de Davi. Ele faz uma análise e confirma suas convicções. O fim chegara! Reconheceu que foi "exaltado por Deus". A convicção de que toda honra que recebemos é fruto da graça de Deus, livra-nos do ensoberbecimento e nos protege contra o triunfalismo. Davi entendeu isso. Teve convicção também da "unção de Deus". Davi entendeu que o Deus o dera uma missão. Unção nada mais é do que capacitação. Ninguém unge a si mesmo. Saber que fomos ungidos por Deus, nos responsabiliza na função a ser desempenhada. Uma outra convicção que Davi levou consigo para a eternidade dizia respeito ao seu relacionamento com Deus. Ele foi um adorador. Somos testemunhas de que Davi foi um "mavioso salmista". Ele adorou a Deus com excelência. Usou seus dons de musicista e compositor para bendizer a Deus durante sua vida. Até hoje usamos seus salmos e somos por eles edificados. Davi morreu. Eu e você, espero que demore, também morreremos. Quais as convicções que temos de nós mesmos? Caso não dê tempo de falarmos ou escrevermos sobre nós mesmos, o que dirão sobre nós.
Aqui jaz ......
Ricardo Mota

terça-feira, 15 de setembro de 2009

LINGUINHA MALDITA

Davi, o filho de Jessé, foi feito rei de Israel. Para quem lê e crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, sabe que foi unicamente por causa da graça e do poder de Deus, que aquele rapaz, pastor de ovelha, pôde chegar aonde chegou.

Embora, longe da perfeição, Davi foi uma pessoa bondosa. Quando assumiu o reinado mandou que buscasse Mefibosete, filho de Jônatas que era portador de dificuldades físicas, em ambos os pés. Quando ele era criança deixaram-no cair e, desde então, viveu com as limitações físicas marcantes. Davi, bondoso como era, deu ordens para que se restaurassem a ele, as propriedades do seu avô, Saul, que fora o primeiro rei em Israel. Davi mandou que trouxessem a Mefibosete para morar no palácio real. Querendo fazer mais bondade, enviou alguns dos seus servos para consolarem Hanum, rei amonita. Isto porque, Hanun chorava a morte de seu pai Naás. Davi, por amor do rei falecido queria mostrar seu favor ao filho enlutado. Que legal!

Mas, entra em cena a “lingüinha maldita”. Diz a Bíblia: “Mas os príncipes dos filhos de Amom disseram a seu senhor, Hanum: pensas que, por Davi te haver mandado consoladores, está honrando o teu pai? Porventura, não te enviou ele os seus servos para reconhecerem a cidade, espiá-la e destruí-la?” (2 Samuel 10.3). O rei Hanum não pensou duas vezes. Mandou que raspassem metade da barba dos servos de Davi e lhes cortassem as vestes até às nádegas. Que vergonha! Os servos de Davi ficaram “sobremaneira envergonhados” (2 Sauel 10.5). O final desta história é triste. Não menos de quarenta mil homens perderam a vida em batalha. Tudo por causa da “linguinha maldita” daqueles príncipes do rei Hanum.

Quantas desgraças acontecem por causa do mau uso da língua! Amizades são rompidas, igrejas são divididas, ministérios são enfraquecidos, famílias são desfeitas, mortes acontecem. “Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. (Tiago 3.3). Se colocássemos “freios” na nossa boca, ou seja, se pensássemos mais antes de falar, se falássemos depois de pensar; certamente, evitaríamos muitas coisas desagradáveis.

Infelizmente, de uma só boca procede bênção e maldição. "Meus irmãos, não é conveniente que estas cousas sejam assim." (Tiago 3.10).


Ricardo Mota

domingo, 6 de setembro de 2009

GRANDE DESAFIO

O profeta Ezequiel cujo nome significa “Deus fortalece” era filho do sacerdote Buzi. Entendemos que Ezequiel cresceu na expectativa de ser sacerdote como era o seu pai. Um sacerdote exercia seu ministério obedecendo aos turnos devidamente estabelecidos. O sacerdote era muito respeitado. Entendia-se que ele representava, diante de Deus, o seu povo. O sacerdote intercedia pelo povo intensamente; cuidava dos objetos sagrados, e oferecia, em nome do povo, os sacrifícios. Ezequiel queria ser um sacerdote. Mas, este sonho lhe foi tirado. O Império dos Caldeus invadiu Jerusalém, destruiu o templo, levou os objetos sagrados e deportou muitas pessoas, principalmente o rei, o sacerdote e suas respectivas famílias.
Em 597 a.C, Ezequiel estava morando em Tel-Abibe, situada no Canal do Rio Quebar; longe de sua pátria, longe de sua religião, do templo e dos amigos. Neste contexto desolador, em 593 a.C, Deus o chamou para ser profeta. Durante toda sua vida ele pensou que seria sacerdote, agora, Deus o chama para ser profeta. Ser profeta em uma terra distante, falar a um povo desanimado e, sobretudo, rebelde.
Como profeta ele deveria ser diferente. Não melhor que os outros, mas, diferente. Deus disse: ”... não te insurjas como a casa rebelde...” (Ezequiel 2.8). Se a rebeldia era a característica daquele povo por causa das circunstâncias adversas, Ezequiel não poderia coadunar. A rebeldia é um pecado gravíssimo. Insurgir conta Deus é algo terrível! Os contemporâneos de Ezequiel queixavam-se da justiça de Deus, estavam sem esperança, desmotivados, entristecidos e rebeldes. Vivendo em um contexto assim, Ezequiel deveria ser boca de Deus ao seu povo. Ele deveria ser obediente, apesar de tudo. Ezequiel teve uma visão inusitada. Ele viu um livro, escrito por dentro e por fora. Significa a Palavra de Deus. Uma palavra completa, sem espaço para observações ou acréscimos. Ele deveria comer aquele livro. Comer até encher as entranhas, até empanturrar-se. Depois, falar ao povo. O livro, na boca, era doce como mel. A doçura não era pelo conteúdo do livro, mas, por sua origem. Aquele livro era a Palavra de Deus. A experiência mais amarga da vida pode ser docemente satisfatória (Jeremias 15.16; Salmo 19.10; Salmo 119.103). Conforme outros textos como Apocalipse 5.1, entendemos que o tal rolo, embora doce na boca, era amargo no ventre. Isto porque, ao ser digerido, ele confronta estilos e valores que devem ser reconsiderados. Isto é um tanto quanto amargo.
Assim como Ezequiel, vivemos em um mundo cheio de desafios. Duas coisas devem nortear nossa mente e coração: sermos diferentes e obedientes, apesar de tudo.
Que Deus nos ajude!

Ricardo Mota